veja estes clipes

sábado, 26 de setembro de 2009

Resenha Crítica

Tempos de paz

Um filme que retrata o quanto o Brasil precisou de braços para a agricultura

O filme Tempos de paz tem como diretor Daniel Filho, único herdeiro do ator e cantor Joan Daniel Ferrer e da atriz argentina María Irma López. Daniel Filho nasceu no meio artístico e teve contato com grandes nomes do espetáculo brasileiro desde pequeno. Como ator, chamou a atenção contracenando com Jece Valadão em dois dos mais conhecidos filmes brasileiros da década de 60: Os Cafajestes e Boca de Ouro e como diretor nos filmes: A partilha e Se eu fosse você. O longa-metragem estreiou no dia 14/08/09, tendo em seu elenco atores reconhecidos internacionalmente, tais como: Tony Ramos, Daniel Filho (além de diretor, faz parte do estrelado do filme), Dan Stulbach, Louise Cardoso, entre outros. É um drama que tem como roteirista Bosco Brasil e como produtora Lereby Produções.
O longa tem início em abril de 1945, no final da 2ª guerra mundial, com a chegada de muitos imigrantes vindos da Europa em busca de uma vida melhor no Brasil, ao chegar ao cais do Rio de Janeiro capital do Brasil na época, esses imigrantes passavam por um interrogatório com um “pau mandado”, ex-integrante da policia política da era Vargas, que desde pequeno foi criado pra isso pelo seu padrinho, era órfão e tinha apenas sua irmã, então fazia desse trabalho sujo garantia de ficar perto da pessoa que mais amava desse mundo. O interrogatório tinha como finalidade a autorização em forma de visto da permanência do imigrante no Brasil.
Dentre todos os imigrantes, o polonês ex-ator Clausewitz, chamou à atenção do Segismundo o “pau mandado”. Pois o polonês falava fluentemente o português, sendo até confundido com um fugitivo nazista. Só que este era um ex-ator por trás de um falso agricultor que veio para o Brasil com a finalidade de fugir das lembranças das desgraças causadas pela guerra na Europa. O filme se passa por completo na sala de imigração do porto do Rio de Janeiro, onde o Clausewitz (Dan Stulbach) tenta convencer o chefe da imigração da alfândega (Tony Ramos) a permanecer no Brasil, fazendo-o chorar, por que essa foi a única condição estabelecida pelo Segismundo, para que o polonês permanecesse no Brasil. O ex-ator teve de usar o seus dons artísticos para fazer o Segismundo chorar, já que se ele continuasse falando dos massacres acontecidos em sua terra na época não comoveria o Segismundo, pois este estava acostumado com esses massacres, sendo que ele próprio o cometia aqui no Brasil.
O charme do filme é ver a poesia e a “língua passarinhos”, ou seja, linguagem de pessoas inocentes, como disse Clausewitz interagindo entre si. E ajudando o imigrante a permanecer no Brasil. Ele conseguiu fazer o Segismundo chorar, recitando uma poesia de uma das peças que fez quando era ator, que se encaixou de maneira surpreendente com o momento que eles estavam vivenciando, conseguindo o visto de permanência no Brasil. Como ele tava tentando entrar no pais como agricultor, o polonês ironizou no final ao dizer que por mais que ele fuja do seu passado o seu amor é pelos palcos de teatros.
Recomendo o filme a vocês leitores, para que tenham a honra de conhecer o aparato histórico vivido no Brasil durante o final da 2ª guerra Mundial, que por sinal marca a Era Vargas.

Nenhum comentário: